terça-feira, setembro 08, 2009

NEM TUDO É, O QUE PARECE!


Quase sempre estão ao nosso alcance os recursos que pedimos ao céu. (Shakespeare)




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Quantas vezes nós pedimos, suplicamos, desejamos, imploramos por algo! Pedimos mais bênçãos, menos sofrimento, maior sabedoria. Porém, como saber se o que pedimos não foi concedido? Nós ás vezes não identificamos o que recebemos dos céus como bênçãos. E porquê? As coisas nem sempre são o que parecem! Dizia a minha avó que era sábia, ilustrando com mais uma história a sua afirmação. Certa vez, dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica. A família deu abrigo, mas com muita má vontade. Apesar de viverem em uma mansão com muitos quartos, não permitiram que os anjos ficassem em nenhum deles. Em vez disso, deram aos anjos um espaço, num quartinho pequeno e frio, no sótão da casa. A medida que eles faziam a cama no duro piso, o anjo mais velho viu um buraco na parede e tapou-o. Quando o anjo mais jovem perguntou o porquê, o anjo mais velho respondeu: - As coisas nem sempre são o que parecem. No dia seguinte, os dois continuaram viagem. Com a chegada da noite, os dois anjos pediram abrigo na casa de um casal muito pobre. O senhor e sua esposa eram muito hospitaleiros e receberam de bom grado os viajantes. Depois de compartilhar a pouca comida que a família tinha, o casal permitiu que os anjos dormissem na cama do casal, onde eles poderiam ter uma boa noite de sono para poder prosseguir a viagem totalmente descansados. Quando amanheceu, os anjos encontraram o casal, banhado em lágrimas. A única vaca que eles tinham, cujo leite era a única entrada de dinheiro, jazia morta no campo. O anjo mais jovem estava furioso e perguntou ao mais velho: - Como permitiste que isto acontecesse? O primeiro homem tinha de tudo e, no entanto, tu ajudaste-o tapando um buraco, para que o frio não lhe entrasse em casa. A segunda família tinha pouco, mas estava disposta a compartilhar tudo, e tu permitiste que a vaca morresse. Por que fizeste isso? - As coisas nem sempre são o que parecem - respondeu o anjo mais velho. - Quando estávamos no sótão daquela imensa mansão, notei que havia ouro naquele buraco da parede. Como o proprietário era muito avarento e não estava disposto a compartilhar sua boa sorte, fechei o buraco de maneira que ele nunca mais possa encontrar o ouro. Depois, ontem à noite, quando dormíamos na casa dessa família pobre e humilde, o anjo da morte veio em busca da mulher e do agricultor, e eu lhe dei a vaca no lugar dos dois. Por isso que sempre digo, que as coisas nem sempre são o que parecem... Algumas vezes, isso é exactamente o que acontece quando as coisas não saem da maneira como esperamos. Mas, se tivermos fé, somente necessitamos confiar que aconteça o que acontecer connosco algum propósito há. Provavelmente alguma coisa muito melhor virá a seguir. Lembra-te: O ontem é história. O amanhã é um mistério. O hoje é uma dádiva. E é por isso que se chama presente. Então, vive-o da melhor forma possível! Pensa nisso...

Maria Isabel Galveias

AFINAL ACREDITAMOS EM DEUS?

Um dia dos mais tristes da minha infância, faleceu minha grande amiga e companheira Milu. Milu era uma menina de 13 anos quando eu fui morar nos Serrões, Olivais, com meus avós. Eu tinha apenas 18 meses. Ela era como eu filha única, e dedicou-se a mim de corpo e alma. Quando atingiu os catorze anos, apanhou uma gripe, naqueles tempos ligava-se pouca a importância a estas coisas, e dessa gripe á tuberculose, foi um pulinho. Mesmo sendo assim doente, como uma doença facilmente transmissível, minha avó nunca a privou da minha companhia. Embora sempre atenta á minha saúde, para que nada de mal me acontecesse, e na realidade nada aconteceu, a não ser o facto de por qualquer motivo, eu ser imune á tuberculose. Depois de um grande sofrimento, com melhoras repentinas, e recaídas ainda mais repentinas, a minha amiga Milu, acabou por falecer aos 23 anos de idade. Para mim foi um desgosto enorme, e fiquei revoltada. Na missa do funeral quando ouvi falar em ressurreição, disse á saída para minha avó: Não acredito em Deus, nem nessa história de ressurreição, se isso tudo existisse, a Miluzinha, não teria sofrido tanto, nem teria morrido, e chorei amargamente toda a minha dor, e desilusão, pois eu havia feito tantos pedidos a Deus para que a minha amiga se salvasse. Quando estava mais calma, minha avó levou-me para debaixo do damasqueiro, onde a minha amiga costumava passar a tarde na sua cadeira de repouso, sentou-se na cadeira, e pediu que me sentasse a seu lado. Deitou minha cabeça no seu colo, e afagando-me os cabelos disse-me assim: - DEUS EXISTE? Havia um menino, que como tu ia á missa e á catequese, e que acreditava em Deus Em Jesus e na sua ressurreição. Numa aula de física, o professor pôs tudo isso em causa Dizendo, que era impossível. Deus não existia. Só a ciência era capaz de dar respostas concretas. O menino disse para o professor- Deus não é limitado pela ciência, Ele criou a ciência! Incomodado com o modo como o menino defendia sua fé, o professor propôs uma experiência cientifica. Foi até a casa e trouxe um ovo de galinha. - Eu vou deixar este ovo cair no chão, começou o professor. A gravidade vai fazer com que ele caia no chão e se despedace. Olhando fixamente para o menino continuou: - Agora, eu quero que tu faças uma oração e peças ao teu Deus para que quando eu soltar este ovo ele não caia no chão e se quebre. E se ele conseguir fazer isto, terás provado que Deus existe, e eu terei que admitir isso. Após pensar por um momento sobre o desafio, o menino lentamente começou sua oração. - Querido Pai celeste, eu peço que quando o meu professor soltar este ovo... ele caía no chão e se quebre em uma centena de pedaços! E também, Senhor, eu peço que quando este ovo quebrar, meu professor tenha um ataque cardíaco fulminante e morra. Amém. Após os cochichos da classe, veio um silêncio fúnebre. Por um momento o professor não fez nada. E por fim ele olhou para o menino e depois para o ovo. E, sem dar uma palavra, cuidadosamente colocou o ovo na sua secretária. - A aula acabou, disse o professor enquanto pegava suas coisas, e saiu. Diz-me agora minha filha, achas que o professor acreditava em Deus? Depois de pensar um pouco, respondi: Sim avózinha, ele acreditava, mas não tinha ainda percebido isso. E porque achas que ele percebeu? Porque com toda a sua ciência, ele não se atreveu a desafiar a Deus, temendo morrer. Entendeste então a lição? Não devemos desafiar Deus, ele na sua infinita bondade e sabedoria sabe o que é melhor para nós. Acho que sim, mas não entendo porque se tem de morrer. Minha filha, ninguém morre, Jesus provou isso mesmo, quando no 3º dia ressuscitou. Então avózinha, a Milu vai ressuscitar? Querida, aquela Milu que nós conhecemos, como pessoa, naquele corpo, não. Não? Então não há ressurreição! Aquele corpo, era como todos os nossos corpos, feito de matéria orgânica, e como sabes, a matéria desfaz-se, e acaba por confundir-se com o barro. Mas o sopro divino, que Deus nos deu, esse é eterno, e a Milu, virá sim um dia, mas num outro corpo, sendo outra pessoa, mas a sua alma será sempre a mesma. Entendeste? Não entendi muito bem, respondi eu, minha avó sorriu e disse: - claro que não entendes bem, não tens idade para isso, mas, nunca te esqueças desta história, verás que ao longo da tua vida, irás aceitar a perda, das pessoas que amas, e que deixam de existir fisicamente, mas não acreditarás na morte perpétua. Na verdade, esta história ficou na minha memória, e se hoje a conto aqui, é na esperança de que possa ajudar meus netos, e mais alguém que a leia a aceitar as perdas que a vida nos dá, sem deixar de acreditar em Deus, que na sua infinita misericórdia, nos presenteará se o merecermos com uma outra oportunidade de viver.
Lylybety

UM PRESENTE INESQUECÍVEL

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa
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Linda tinha 7 anos quando ouviu sua mãe comentar com uma de suas amigas que, no dia seguinte, faria 30 anos. Jamais linda soubera que sua mãe fazia aniversário. Também nunca a vira ganhar um presente. Por isso, foi até seu mealheiro, juntou todas as moedas e se dirigiu à loja da esquina. Procurou um presente que pudesse se encaixar naquele preço. Havia bibelôs, mas ela pensou que sua mãe teria que espaná-los todos os dias. Havia caixinhas de doces, mas sua mãe era diabética. Finalmente, conseguiu comprar um pacote de rolos para o cabelo. Os cabelos de sua mãe eram longos e escuros. Ela enrolava-os duas vezes por semana e, quando os soltava, ficava parecendo uma artista de cinema. Em casa, Linda embrulhou os rolos numa página de histórias em quadrinhos do jornal, porque não sobrou dinheiro para papel de presente. Na manhã seguinte, à mesa do café, entregou o pacote à sua mãe e disse: "feliz aniversário, mãezinha!" Em silêncio, entre lágrimas, a mãe abriu o pacote. Já soluçando de emoção, mostrou ao marido, aos outros filhos: "sabes que é o primeiro presente de aniversário que recebo na vida?" Beijou a filha no rosto, agradecendo e foi para o lavar e enrolar os cabelos, usando os rolos novos. Quando a mãe saiu da sala, o pai aproximou-se de Linda e confidenciou: "linda, quando eu era menino, lá na nossa terra, não nos preocupávamos em dar presentes de aniversário para adultos. Só para as crianças. E, na família de tua mãe, eles eram tão pobres que nem isso faziam. Mas tu fizeste-me ver, hoje, que isso precisa mudar. Tu inauguraste uma nova fase em nossa vida." Depois desse dia, a mãe de Linda ganhou presentes em todos os seus aniversários. Os filhos cresceram. As condições da família melhoraram. Então, quando a mãe de linda completou 50 anos, os filhos todos se reuniram e lhe compraram um anel com uma pérola rodeada de brilhantes. Programaram uma festa e o filho mais velho foi quem, em nome dos irmãos, entregou o anel. Ela admirou o presente e mostrou a todos os convidados. "Não tenho filhos maravilhosos?" Ficava repetindo de um em um. Depois que todos os convidados se retiraram, linda foi ajudar na arrumação. Estava lavando a louça na cozinha, quando ouviu seus pais conversando na sala. "Bem", dizia o pai. "que lindo anel teus filhos te deram. Acho que foi o melhor presente de aniversário de tua vida." Depois de um breve silêncio, linda ouviu a voz de sua mãe responder docemente: "sabes João, é claro que este anel é maravilhoso. Mas o melhor presente que ganhei, em toda minha vida, foi aquela caixa de rolos. Aquele presente foi inesquecível." .............................. Os actos que colocam colorido especial nas vidas são pequenos, silenciosos, e podem se manifestar a qualquer tempo. É suficiente querer, usar a imaginação e deixar extravasar o coração. Se nunca brindamos alguém com flores, com um cartão escrito de próprio punho; Se nunca surpreendemos alguém com uma festa surpresa, um presente inesperado, tentemos hoje. Hoje é sempre o melhor tempo para começar o que é bom, novo e portador de felicidade. É que pode ser que amanhã as pessoas partem para a grande viagem. Então já não precisam de flores como presente. E nós não ficamos com a amargura de que nada fizemos por elas enquanto cá andavam. Pensem nisto. Lylybety

SÍNDROME DA SOLIDÃO, VOCÊ TEM?

Não importa se está solteiro ou casado. Não importa se tem muitos ou poucos amigos. Nem tampouco se é introvertido ou extrovertido. A síndrome da solidão não tem a ver com convites para festas e baladas ou a ausência deles. Justamente num tempo em que o mundo está cada vez mais globalizado, em que as facilidades para os encontros são inúmeras e de diversas formas, parece que a maioria das pessoas está, cada uma no seu mundo, sofrendo de solidão. A carência parece nos consumir em desejos que inexplicavelmente não se realizam e numa saudade que a gente nem sabe de quê, de onde ou de quem. Buscamos o outro sem encontrá-lo, ainda que vivamos um sem número de relações. Este outro, tão esperado, parece nunca chegar. Ou melhor, às vezes parece nem existir. O velho e bom carteiro continua passando todos os dias. Temos telefone, fax e computador. Dentro dele, os e-mails, as salas de bate-papo, os sites de encontros, o orkut, o gazzag, o multiply e o msn. Temos também blogs, fotologs e skype. Instalamos câmara, microfone e coleccionamos uma lista interminável de amigos (alguns que a gente nem sabe quem são... mas vale mantê-los porque nos dão a sensação de "estarmos juntos&quot. Tudo para tentar aplacar este eco interior. Qualquer coisa que preencha o vazio, o abismo que insiste em nos separar de alguém que já fomos um dia ou - pior! - que gostaríamos de ser, mas não sabemos como construir, enfim, a ponte ou o caminho para lá chegar Creio que este seja o primeiro passo. Precisamos aprender a construir as pontes e estradas. Caminhos que nos levem até onde desejamos chegar, especialmente do outro lado de nós mesmos. Estamos sempre do lado de fora, procurando, olhando, observando, acusando, apontando, amando, desejando, rindo e chorando... sempre do lado de fora... Basta uma conversa, uma situação, um encontro. e lá estamos nós falando do que o outro fez, do que o outro disse, de como o outro nos faz sentir. Basta uma nova paixão ou uma velha briga com quem já está ao nosso lado para encontrarmos todas as justificativas no outro. Não temos as pontes, as benditas pontes. Caramba! Nem tentamos construi-las! Simplesmente nos acomodamos com as facilidades dos encontros sem laços sem nos darmos conta de que o único encontro necessário não tem acontecido há anos, há muito, muito tempo! E assim, muitos estão morrendo, ou melhor, se matando de solidão no meio da multidão. Paradoxal? Lamentável? Pode até ser! Mas as saídas existem, eu tenho certeza! Pode encontrar a sua. Eu posso encontrar a minha. Só que, definitivamente, tem de ser dentro e não fora!!! Temos confundido liberdade e amor-próprio com individualismo e egoísmo. Olhamos constantemente para o outro, mas não conseguimos vê-lo verdadeiramente porque somente poderemos enxergar alguém - quem quer que seja - depois de termos nos enxergado. Falta nos responsabilizarmos. Falta parar com essa mania irritante de acreditar que o outro é o causador dos factos que acontecem em nossa vida. E assim, quando finalmente começarmos a olhar para tudo o que nos acontece com um pouco mais de propriedade, estou certa de que a solidão diminuirá consideravelmente... porque permitiremos a aproximação das pessoas sem tantas ressalvas e compreenderemos que somos todos um e que sozinhos, fechados em nossa concha pessoal não somos ninguém, nossa existência perde qualquer sentido. Não faz link; não tem significado nem importância, porque perdemos a chance preciosa de compartilhar nosso coração. Sugiro que você aposte mais na delícia dos encontros, mas comece hoje, agora, a construir pontes pelas quais você possa passar... atravessar o abismo que sente aí dentro... Porque do outro lado, está certamente a sua imensa capacidade de mudar qualquer situação para melhor. E que esta mudança inclua a humildade que requer a convivência... para definitivamente conseguir sentir bem mais amor e bem menos solidão. E quem sabe então, possa compreender, enfim, que o amor que você é capaz de dar... assim como o que você é capaz de receber nada mais são do que reflexo - na exacta medida - do quanto você permite expressar seu coração...
Lylybety