sexta-feira, fevereiro 09, 2007

AI QUE MAL SE ESCREVE…!

Há já algum tempo que nada escrevo. A minha musa inspiradora deve ter-me deixado, para ir inspirar outro alguém, ou então foi de férias.
Ou será antes preguiça? Não sei muito bem. Mas deve ser preguiça, ando num deixa andar, ou então fica para logo ou para amanhã, e os dias vão passando e eu nada escrevo e nada faço, neste marasmo que é a minha vida.
Ás vezes penso, devo estar doente. Mas por outro lado sinto-me bem. Apenas esta apatia, venho da cama para o PC e vou do PC para a cama, isto a cada meia hora.
Inacreditável, mas dei-me conta de que não tomava banho há mais de uma semana!Só posso estar doente!Mas também, para quê? Eu não saio de casa, não faço nada, não transpiro, não preciso de tomar banho.
Afinal ninguém me visita e não vejo ninguém. Só quando vou á rua, aí sim tenho mesmo de ir pró chuveiro quando chego a casa.
Mas foi exactamente por isso que me apercebi que há mais de uma semana não tomava duche. Se fui á rua há mais de uma semana!
Agora pergunto: - Eu vivo?Acho que apenas vegeto. Enfim cá vou indo neste conformismo estranho.
Ah! Mas quero ilucidar, saí agorinha mesmo do duche heheheheh.Tudo porque vou com a Lurdes ao médico.
Ela foi operada a um joelho e vai tirar os pontos, como não pode conduzir levo-a eu. Mas, saberei ainda conduzir? Há tanto tempo que não o faço, a última vez foi antes do Natal. O pobre do meu carro está para ali paradito, um dia destes não funciona.
Mas o que me fez hoje escrever umas patacudas, foi o facto de ter andado por aqui, pela net, bisbilhotando, de blog em blog, leio uma coisa aqui, outra ali e com pouca vontade, nem sei bem porquê, vou que nem um pardalito, pulando de lado para lado sem muito interesse, no que vejo.
Contudo algo me despertou a atenção, e foi ao fim de algum tempo, ai como eu ando!
Verifiquei que na maioria dos ditos blgs quem escreve fá-lo de uma maneira pouco ortodoxa, ou convencional, assassinando a língua pátria duma maneira assaz indecente.
Isto complica-me com o meu sistema nervoso, e com o meu sentido de tentar bem falar e escrever português.
Será por ser velha?Penso que não! Penso que o idioma de qualquer país, é a sua maior riqueza, por isso não gosto de ver a minha língua materna tão mal escrita.
Que nos telemóveis se abreviem as palavras para que se escreva o máximo de texto, ainda se compreende, mas aqui? Há tanto espaço para quê escrever “k” em vez de quê, e “tb” em vez de também e por aí fora?
Constato que alguns até ostentam um “canudo universitário” assim sendo, admite-se uma escrita destas?
Eu, definitivamente não consigo admitir!
Dirá quem me lê:
- Não admites porque és velha e ranzinza!
Será então por isso?Será que como eu tenho preguiça de fazer alguma coisa, eles têm preguiça de escrever bem?
Será antes com intenção de poupar as letras do teclado, ou os dedos que teclam?
Mas ainda há algo muito pior, é que os jovens escrevem assim nas escolas, e os professores acham bem!Posso ser preguiçosa.
Posso não tomar duche todos os dias.
Posso ficar trancafiada em casa dias e dias a fio.
Posso até ler na transversal qualquer coisa nos blogs ou afins, mas não posso tolerar uma língua portuguesa mal falada e mal escrita.
Chamem-me bota de elástico, velha, ranzinza o que quiserem, mas dá-me um nó no estômago ver tal coisa. Que diriam Camões, Eça ou Aquilino?Pensariam como eu? Aposto que sim.
Arroja, 9 de Fevereiro de 2007
Maria Isabel Galveias

segunda-feira, janeiro 08, 2007

A ALEGRIA DE SER AVÓ

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo... Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração. Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar. Já a avô, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parece com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna. Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto. E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno. E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações.... Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.
Ser avó é na verdade uma coisa maravilhosa. Imagine-se ser bisavó, como eu já sou. É a confirmação plena da minha passagem por esta vida.
Lylybety

COISITAS

Hoje foi um dia de saudade. Assisti na TV memória á grande noite do fado. Vi o Fernando Maurício a cantar. Senti uma enorme saudade. Saudade dele, que já partiu há alguns anos, e, saudades de mim, pois já há bastantes anos, que com ele estive no Luso. Nesse tempo, era eu uma jovem de quarenta anos. Pergunto a mim mesma, para onde foi o tempo? É irritante, tenho um espirito muito jovem, acho que terá por aí uns vinte anos, contudo, ao ver-me no espelho, vejo um corpo velho, disforme, em nada correspondente ao espirito, não é para dar raiva? Como o espirito, o corpo não devia envelhecer..... Fiquei também inquieta. É que dou muito valor aos provérbios , raramente me engano, e, pelo que vi, este ano vai ser mais um ano de seca. Porquê? Foi Lua Nova ontem, dia 3, e diz o povo, que, Lua Nova Setembrina, sete meses determina. É verdade! Nunca falha! Os incêndios, voltaram. A falta de água agrava-se. A coisa está a ficar feia. Porque será que a água do mar não apaga os incêndios? Coisas da Natureza.... O que não é da Natureza é o fogo posto, ou será? A natureza humana é tão estranha.... Por uns patacos queima-se um país. Ainda não entendi onde estará o ganho. Enfim, mentalidades, e falta de lei e de ordem, é o que é!. Penso que, se deveria fazer como fizeram os Israelitas, filtrar a água do mar, e, torna-la potável. Mas num país como o meu, só se fosse para arranjar outro ás do futebol no mar, é que se faria alguma coisa..... Olho para a situação deste Portugal, dos pequeninos, e não vejo ninguém capaz de tomar as rédeas deste País. Só existe politiquice, nada de boa política assim não vamos longe não. Estou adoentada. Vou parar por hoje, também, nada disse. E tenho tanto para dizer. Mas hoje não posso, estou muito mal disposta, agoniada, e com vertigens. Será da tela do monitor? Pode ser. Eu não uso óculos, pode ser falta de vista. Mas não há um oftalmologista que acerte com os meus olhos... Já fui a vários, receitam-me óculos que me custam um dinheirão, e na volta não vejo com eles. Vejo melhor sem eles. mas não admira, eu sou mesmo é do contra.... Amanhã haverá mais... Lylybety

sábado, janeiro 06, 2007

SILENCIO, PAZ OU SOLIDÃO?

Chegou do emprego cansada, afinal era o fim de uma semana de trabalho com um horário extenso e cansativo. Pensou para si própria que apesar do cansaço poderia ler todos os mails que não tinha lido, abrir todas as cartas que se foram amontoando ao longo da semana, ver televisão ou simplesmente não fazer nada e ir dormir cedo. Por volta das dez horas da noite, já estava a semicerrar os olhos e pensou que não tardaria muito em ir deitar-se e ler até adormecer. Aquele livro pousado na sua mesa de cabeceira à cerca de dois meses já a incomodava. Até era interessante, caso contrário já o teria posto de parte, simplesmente nos últimos tempos, só conseguia ler duas ou três paginas por noite. No entanto, ao ler um mail que um amigo lhe enviara, reparou num link de um site de musica. Não resistindo ao apelo implícito, foi ao PC , abriu o site indicado e com um sorriso pensou que este seu amigo de longa data sempre tivera bom gosto e a conhecia bem. Deliciada, não sentiu mais o sono e o cansaço e enquanto escutava a música, pegou numa caneta e em várias folhas brancas e começou a escrever. Era noite já alta e ela ouvindo musica de um site da Internet e a escrever os seus pensamentos mais íntimos, foi invadida por uma sensação de conforto e de paz, como há muito não sentia. De tempos a tempos, parava de escrever, fechava os olhos e languidamente deixava que a musica a invadisse, transportando-a para mundos de sonhos e fantasia, de amor e sensualidade. Pensava nele, mas estranhamente não se sentia sozinha ou triste. A solidão por vezes fazia-se sentir, mas ela ao contrário de muita gente, até gostava de alguns momentos em que se sentia afastada de tudo e do silencio que a rodeava. Lembrou-se de uma grande amiga, que se lamentava muitas vezes, por não ter um minuto que fosse, só para estar com ela própria, sozinha e em silêncio total. A noite avançava e ela pensava em todas as pessoas que tinham feito parte da sua vida. Teve saudades dos amigos que não abraçava havia tempo, dos amigos que já tinham partido prematuramente, dos amores que tivera, nas oportunidades não aproveitadas. Sentia que grande parte da sua vida já tinha passado, no entanto isso não a entristeceu, pelo contrário, fez com que ela entendesse, naquela noite de primavera e de repentina insónia, que queria continuar a viver intensamente todos os momentos, como aquele em que sozinha e em silencio apenas lhe chegavam baixinho os sons da musica. Bem haja o seu amigo, por lhe ter lembrado que a música Era uma grande companheira. Tranquilizante e sadia. Quem se sentia só? Ela? Não jamais. Arroja, 20-12-1999 Maria Isabel Galveias -