Exactamente! Quem te manda a ti sapateiro tocar rabeca? Entrei para este mundo da blogosfera, é assim que se diz não é? Mas será assim que se escreve? Como ia dizendo entrei para este mundo, sem trazer nem sequer um fósforo, ou seja, completamente ás escuras. Não percebo nada disto. Primeiro foi uma trabalheira para conseguir abrir o blog agora é outra para abrir? Postar? Colocar? Sei lá como se diz, e ainda menos como se faz, os separadores ou links ou lá o que é. Bem pelo menos, dá para eu dar umas boas gargalhadas á custa da minha falta de habilidade. Também não admira, ninguém me ensinou a mexer em PCs e muito menos nestas andanças da net. Tenho vindo a gatinhar, e estou a começar a dar os primeiros passos. Ainda muito indecisos, cambaleantes Mas com o tempo eu sei que vou andar a passos firmes. Para isso conto com a ajuda de quem faz o favor de visitar esta minha palhota. É. Agora ainda é palhota, mas aos poucos vai-se transformar num palácio, ou então num hotel de 5 estrelas. Quem viver verá. Até lá, tenho que andar por aqui á pesca, a fim de encontrar alguma coisa que me ajude nesta tal história dos links. É que eu tenho umas ideias, não sei é como praticá-las. Se não divido o que escrevo, por quartos e salas individuais, vai haver aqui uma tal bagunça, que nem eu me vou entender com ela. Mas o pior, pior, pior, foi que falando eui, com uma amiga, a respeito da criação deste recanto, ela disse-me, que tinha tentado um blog aqui no sapo, mas não se entendeu, então aconselhou-me o MSN dizendo ser mais simples. Bem mandada como sou, lá fui eu. Pois fui. Mas perdi o norte, e agora não sei lá ir de novo. Para mim, o tal ainda é mais difícil do que este.
Enfim logo se vê.....
Lylybety
sábado, novembro 25, 2006
QUEM TE MANDA A TI SAPATEIRO?
Exactamente! Quem te manda a ti sapateiro tocar rabeca? Entrei para este mundo da blogosfera, é assim que se diz não é? Mas será assim que se escreve? Como ia dizendo entrei para este mundo, sem trazer nem sequer um fósforo, ou seja, completamente ás escuras. Não percebo nada disto. Primeiro foi uma trabalheira para conseguir abrir o blog agora é outra para abrir? Postar? Colocar? Sei lá como se diz, e ainda menos como se faz, os separadores ou links ou lá o que é. Bem pelo menos, dá para eu dar umas boas gargalhadas á custa da minha falta de habilidade. Também não admira, ninguém me ensinou a mexer em PCs e muito menos nestas andanças da net. Tenho vindo a gatinhar, e estou a começar a dar os primeiros passos. Ainda muito indecisos, cambaleantes Mas com o tempo eu sei que vou andar a passos firmes. Para isso conto com a ajuda de quem faz o favor de visitar esta minha palhota. É. Agora ainda é palhota, mas aos poucos vai-se transformar num palácio, ou então num hotel de 5 estrelas. Quem viver verá. Até lá, tenho que andar por aqui á pesca, a fim de encontrar alguma coisa que me ajude nesta tal história dos links. É que eu tenho umas ideias, não sei é como praticá-las. Se não divido o que escrevo, por quartos e salas individuais, vai haver aqui uma tal bagunça, que nem eu me vou entender com ela. Mas o pior, pior, pior, foi que falando eui, com uma amiga, a respeito da criação deste recanto, ela disse-me, que tinha tentado um blog aqui no sapo, mas não se entendeu, então aconselhou-me o MSN dizendo ser mais simples. Bem mandada como sou, lá fui eu. Pois fui. Mas perdi o norte, e agora não sei lá ir de novo. Para mim, o tal ainda é mais difícil do que este.
Enfim logo se vê.....
Lylybety
VISITA A MINHA FILHA
SABADO 20-8-005
Hoje fui visitar a minha filha, e os meus netos, mas principalmente os meus bisnetinhos. Cheguei, perto do meio dia, o Leo estava ao colo da mãe. Está tão grande, e tão esperto! Acho que gostou de mim, pois eu brinquei com ele e ela fartou-se de palrar. Só tem um mês e meio, mas já palra tanto!! Está lindo, achei-o parecido com o avô e com o tio Fábio, muito embora o achem parecido com o pai. Levei uma bola de praia ao Tomás, ficou tão contente!!!! A mãe é que não gostou que lhe tivesse dado a bola. É que ele gosta muito de bolas, mas, como é um menino muito activo, quer correr atrás da bola, e têm de segurá-lo. Acham que ele é de vidro então está super protegido, por mais que eu diga que ele tem de se defender sozinho, não me ligam importância, afinal eu já sou velha, e, não percebo nada de nada sobre crianças.... Nunca criei nenhuma....! Enfim! Almoçámos uma sardinhada. Depois do almoço o Leo adormeceu, a Teresa, sua mãe, quis ir arranjar o cabelo. Eu ainda lhe disse que o deixasse ficar a dormir, eu tomaria conta dele, mas ela teimou em levá-lo. O menino não parece gostar muito de colo, estava muito calor, e, ele não conseguiu dormir muito tempo....ficou rabugentinho. Como bebé que é, chora e leva as mãozinhas á boca. Sua mãe acha que ele tem fome e pimba dá-lhe de mamar, mas ele tinha mamado, e ainda não tinha, passado o tempo necessário entre mamadas, mama pouco, e fica ainda mais rabugento, ora na opinião abalizada da avó e da mãe, o que ele tem é mau olhado. Depois de devidamente benzido, ele continua a choramingar, a mãe acha que são gases, e enfia-lhe um supositório Bem-uron, para lhe aliviar as cólicas, que no seu entender haviam sido provocadas por duas colheres de chá de água que o menino bebeu, a meu conselho. É que o menino não deve beber água, no entender dela. Penso que, elas em vez de progredirem regridem no tempo, ou serei eu que estou velha, caduca e não sei o que digo? Sempre a choramingar no colo da mãe, o bébé em todo dia não dormiu aquele soninho que todos os bébés devem dormir. Enquanto a Teresa jantava, peguei nele, trouxe-o para a sala, deitei-o no sofá, e, acabaram-se as cólicas e a rabugice, esperneava, esbracejava e palrava comigo que era um louvar a Deus. Assim o consegui manter calmo, até perfazer o tempo regulamentar entre as mamadas. Acabou por ficar com fome, a mãe deu-lhe de mamar e ele já ficou mais ou menos, só que, durante todo o dia não dormiu, e estava muito rabugento, como é normal nas crianças de tão tenra idade. Por mais que eu lhes diga que as crianças devem ter horas certas para tudo, eu sou parva, sou antiquada, e não sei o que digo. Meu Deus! Eu fui mãe de quatro filhos, que não têm entre o mais novo e o mais velho seis anos de diferença. Sempre os eduquei a fazer uma vida regrada e de horas certas, não me deram trabalho nenhum a criar. Fui a mãe mais feliz do mundo. Sempre dormiram toda a noite, sempre fizeram o soninho entre as mamadas, e, não morreram á fome, por lhes dar de comer de três em três horas, e, nem por isso deixaram de ser uns bebés desenxovalhados, e de serem os homens bem constituidos que são hoje. Pois é! Mas isso são coisas de velha, já não se usam. Nada como dar-lhes de comer de meia em meia hora, para que fiquem gordos e anafados, no entender da mãe e da avó. Mas eu nada tenho com isso. Não sou eu quem os atura.... Estávamos a ver as notícias, quando a TV enguiçou. Deve ter sido avaria no sinal de satélite. Aí, o Cardoso, meu genro, começou a barafustar que, os nossos canais, como ele diz, não se devem ver por satélite, mas sim pela antena normal, também não entendi essa, mas não admira sou velha e estúpida. Só que ele a barafustar, não disse, mas eu percebi muito bem, que ele estava a atirar para cima de mim as culpas da avaria, já que eu tenho o péssimo costume, de ver outros canais, que não são o Playboy, a SIC, ou a Spot-TV. Fui com a intenção de lá passar o fim de semana, mas depois de ter feito mal em levar a bola ao Tomás, ter deitado mau olhado ao Leo, e ter avariado a TV, não tive ânimo de lá ficar nem mais um segundo. Assim sendo, dei corda aos pneus e vim para a minha casa. Afinal de contas, aqui é que eu estou bem. Mais uma vez, me senti personna non grata lá em casa. Era minha intenção, quando saí de manhã ao ir para lá, ficar a ajudar a minha filha, que tem sempre montes de roupa para lavar e engomar, e, bem assim, sempre montanhas de lixo para despejar, há imensa imundície naquela cozinha do lume, eu queria ajudá-la a dar um jeito naquilo tudo, pois ela é sozinha, e é uma casa de gente. Depois tem lá o Tomás, que dá imenso trabalho, porque elas querem, ele é um santo menino, mas lá está, mal habituado. A mãe, não faz nada de nada á minha filha, até inclusivamente é a minha filha quem depois de fazer quase tudo, ainda tem de olhar por ele. Mas eu sou velha e tonta...Ainda engomei uma pecitas de roupa, era minha intenção passar o resto durante a noite, quando estivesse mais fresco, pois o calor era insuportável, mas, optei por me vir embora. Trazia o coração apertado como sempre. Filha é filha, neta é neta, mas não dá. Já são demasiadas vezes que, me sinto mal lá em casa. Penso mesmo, e, não é por despeito ou maldade de minha parte, mas penso que tão cedo não irei lá. Acho mesmo que só lá irei se for convidada para alguma coisa, o que duvido que aconteça. E, assim, um dia que eu supunha, iria ser feliz acabou sendo um dia triste, em que mais uma vez me senti muito só, á margem de tudo e de todos. Mas que hei de fazer? Eu sou velha e tonta!!!
Agosto de 2005
Lylybety
CARA OU COROA
Vá lá saber-se porquê, hoje lembrei-me de um episódio que, considero tragicómico. Tragicómico, porque mais tarde daria aso a momentos quase trágicos, momentos em que eu me sentia indignada e tristérrima, e quase perdi a vida. Cómico porque hoje ao lembrar-me dele, me dá vontade de rir.Foi há sensivelmente dezassete anos. Eu vivia com o Jorge há relativamente pouco tempo. Nesse serão estava cá em casa, um casal amigo, Sérgio e a Fátima,. Após uma longa dissertação sobre o casamento, eu acabei por dizer que não queria casar, pois não seria um papel que me daria a felicidade. Aliás penso que uma certidão de casamento não faz ninguém feliz, mas, pode tornar alguém muito infeliz.Conversa puxa conversa, o Jorge zangou-se e acabou por dizer que se tivesse carro, se iria embora para não mais voltar.Sérgio e Fátima, que não viam com bons olhos o meu “namoro” com o Jorge, pois este era um bêbado, que já me tinha enviado para o hospital umas duas ou três vezes, derivado a tareias que me deu, prontificaram-se de imediato a um ou outro o irem levar a casa dos pais, já que o Jorge não tinha casa própria. Assim, Jorge gritou irado: - Vai arrumar as minhas coisas, para mim chega, vou embora. Um pouco triste, porque não era essa a minha vontade, eu e a Fátima lá fomos emalar a trouxa. Logo após o Sérgio saiu com ele a fim de o ir levar .Eu fiquei de lagrimita no olho, enquanto a Fátima me animava, dizendo ser o melhor que me podia acontecer, pois ele era muito violento (bota violento nisso) e eu não merecia os maus tratos que me eram infligidos. Ao demais o Jorge estava desempregado, acho que ele não quer é trabalhar, dizia ele, e tu estás aqui a consumir-te. És uma mulher jovem ainda, isto se aos quarenta e três anos se pode considerar alguém jovem, bonita, podes arranjar alguém que te estime de verdade, etc. etc. etc.Subitamente, Fátima olha pela janela dá um pulo no sofá, e diz agitada, eles vêm aí, que terá acontecido?Na verdade, o que aconteceu? Teriam percorrido uns duzentos metros, quando Jorge diz para Sérgio: Para o carro, vamos voltar, eu não posso ir embora sem falar com ela de novo. Sérgio ainda o tentou dissuadir, mas Jorge insistiu e lá votaram. Ao chegarem á entrada da minha casa, Jorge hesita, achas que deva ir? Pergunta. Sérgio diz-lhe que será melhor ele ir-se embora de uma vez por todas. Mas Jorge, é do tipo que, se queremos virar para a esquerda, fazemos sinal para a direita, e teima, não tenho de falar com ela. De repente, puxa duma moeda de 2$50 e diz, vou jogar a moeda ao ar, se sair cara vou embora, se sair coroa, e se ela me quiser fico.Saiu cara ou coroa? Não sei. Sei que ele voltou. Sei que fui jogada de cara ou coroa. Sei que fui muito infeliz. Sei que o saber que tinha sido jogada assim me magoou. Sei que já passaram quase 18 anos, e hoje isso me faz rir......
Lylybety
sábado, novembro 11, 2006
RECORDAÇÕES
Mais um fim de semana! Micaela detestava os fins de semana. Sabia que iria para casa, se encafuava no sofá a ver televisão, ou a dormir. Como era sozinha, nunca tinha vontade de sair de casa.Houve um tempo que ainda saía de vez em quando com sua amiga Raquel, mas esta tinha arranjado um companheiro, e já não lhe sobrava tempo para saídas com a amiga. Pelo menos Raquel andava feliz, já era algo de positivo.
Olhou o relógio, 18,30h. Tinha despachado o seu trabalho cedo. Pôs em ordem os papeis, arrumou-os na gaveta da secretária, tapou o computador, acendeu um cigarro, que raio de vicio tinha arranjado, enfim alguma distracção havia de ter...esta era a desculpa que ela dava, quando lhe chamavam a atenção por fumar, ás vezes em demasia.
Recostou-se na cadeira saboreando o cigarro, e sorriu para consigo, pelo facto de ter sempre a sua secretária impecavelmente arrumada. Suas colegas diziam que era mania, mas não, era tão somente a força do hábito. Fechou os olhos, e recordou com alguma saudade o seu primeiro emprego. Luísa, sua chefe era exigente, e não gostava que as empregadas deixassem as secretárias desarrumadas de um dia para o outro. Dizia e com razão que havia documentos com alguma confidencialidade e não deveriam ser expostos á curiosidade dos empregados de limpeza. Assim Micaela ficara com este pequeno defeito profissional. Talvez por isso entre outras coisas, ela era a funcionária em quem o Director mais confiava. Voltou a olhar para o relógio, faltavam cinco minutos para as sete, preparava-se para sair, quando o Director a chamou pelo interfone.- D. Micaela?- Sim senhor Director.- Ainda bem que não saiu, poderia chegar aqui ao meu gabinete? O que seria este queria agora?Bateu á porta, e, entrou.- Desculpe D. Micaela, mas preciso que me faça o favor de enviar por correio electrónico, ainda hoje, este relatório para Deutz, é que só agora o Conselho de Administração deu autorização para comprar as peças dos motores das máquinas, e sabe como é importante que as mandem com a maior brevidade.Com certeza Sr. Director. Respondeu cortesmente.Já ia a sair quando ele pergunta:Espero que não vá transtornar os seus planos, como é fim de semana...
- De modo algum. Não tenho nada importante para fazer este fim semana. Não atrapalha nada.- Nesse caso, fico muito grato. Até segunda e bom fim de semana.- Bom fim de semana também para si, responde ela já da porta.
Como era seu costume leu atentamente o relatório, e só depois o passou no computador. Eram 21h quando deu por findo o trabalho.Pegou na mala e saiu.Na rua estava um calor infernal, como tinha ar condicionado nem se tinha apercebido do calor que estava. Ainda bem que o carro já estava á sombra.Pôs o carro a trabalhar, e enquanto o motor aquecia acendeu outro cigarro. Apetecia-lhe sair, ir ao cinema ou a outro lado qualquer, mas sozinha? Suspirou e arrancou um pouco irritada consigo mesma.O transito estava impossível, o que contribuiu para a enervar ainda mais. Por fim lá conseguiu chegar a casa, cansada e aborrecida.Foi ver se tinha mensagens no telefone, mas ninguém lhe tinha telefonado como era usual, nunca ninguém lhe telefonava...Tomou um duche frio, e preparava-se para comer qualquer coisa, quando, milagre dos milagres, o telefone tocou. Viu as horas, era já meia noite, quem seria a esta hora? Ficou um pouco assustada, seria alguma má notícia?Um pouco a medo atendeu:
- Sim?- Boa noite, responde uma voz masculina que lhe era vagamente familiar, é de casa do sr. David Falcão?Ficou um pouco indecisa, quem seria este? Pelos vistos não sabia que estavam divorciados.Mas deixou-se levar pelo instinto, e respondeu:- É sim.- Seria possível falar com ele?- E quem quer falar com ele?- Sou um amigo e antigo camarada da tropa, o Simões.O Simões? Que estranho, então ele não sabia? Cada vez mais intrigada responde:-Ah Olá sr. Simões como está? E a sua esposa como vai?- Eu estou bem, ela não sei, nós separámo-nos, já há três anos.- Sim? Não sabia. O David não me contou nada.- É natural, eu desde que vocês estiveram em nossa casa nunca mais falei com ele, por isso suponho que ele ainda não sabe.Pelos vistos fora contagioso, pois havia também três anos que ela e David se tinham separado.Contudo alguma coisa lhe soava estranho. Porque haveria o Simões de telefonar aquela hora? Aqui havia coisa. Sorriu, a desconfiança tinha sido nela inoculada por David.
- Pois ele não está. Neste momento está a trabalhar.Qualquer coisa lhe dizia que não devia falar da sua separação, assim, seguiu o seu instinto que raramente a enganava.
- Então a D, Micaela pode dizer-me onde ele está a trabalhar?Gostava de falar com ele. E agora Micaela? Como vais descalçar esta bota? Mentindo claro.- Pois não sei! É que ele foi para um novo cliente, e ainda não me disse onde estava.Pareceu-lhe que ele estava a rir-se. Também Micaela és uma desconfiada, pensou, apercebeu-se porém que para ela era difícil dizer que era divorciada, era como se tivesse sido marcada com um ferro em brasa...- Ah! Se ele lhe telefonar diz-lhe para ele me ligar por favor? Eu hoje estou de serviço nos bombeiros.- Com certeza, dir-lhe-ei sim. - Então boa noite, e desculpe tê-la incomodado a esta hora.- Não tem importância, boa noite!
Tinha perdido o apetite. Ela que tudo fazia para tentar esquecer David, havia sempre alguma coisa a recordar-lho. E como não havia de haver, se ela tinha fotos dele espalhadas por toda a casa, exactamente no mesmo sítio onde as colocara ainda casada.
Olhou para uma que estava sobre a televisão. Ele parecia sorrir-lhe, dava a sensação que queria dizer-lhe algo.Mas David nunca mais dera sinal dele. Isso entristecia-a demasiado. Tinham decidido continuar amigos, mas sem ela saber porquê ele deu o dito por não dito, e nunca mais soube dele....
Contra sua vontade, lágrimas rebeldes rolaram-lhe na face.Não fora de sua vontade a separação. Sabia que ele também não queria isso, então o que foi que aconteceu? Que foi que os separou? O orgulho, só o orgulho idiota de cada um deles.Agora ela levava uma vida vazia sem interesse por nada.Tinha alguns amigos que ás vezes a convidavam para sair, mas sabia de antemão que a intenção não era só levá-la a passear, almoçar, ou ir ao cinema.....Só que ela fazia-se desentendida, eles acabaram por desistir. Agora sozinha muitas vezes se arrependia, mas não podia fazer nada. David era e seria sempre o seu marido....
Embrenhada nestes pensamentos, nem deu pelo tempo passar, e quando viu as horas era quase dia, cinco da madrugada....resolveu tomar um comprimido para dormir, dormir, esquecer, era tudo o que lhe restava.Estava quase a adormecer, quando o telefone toca de novo.Meu Deus, pensou, quem será agora? Só temia que algo acontecesse a algum dos seus filhos, estavam tão longe dela.... E tão esquecidos que tinham mãe....- Estou?- Boa noite! Ou será bom dia? Ainda acordada?Micaela deu um pulo. Aquela voz...estava a sonhar ou era David? Não, não podia ser....- Estou sim, quem fala?- Ainda não passou tanto tempo que não reconheças a minha voz, ou já?- Na verdade não estou reconhecendo não, respondeu insegura.- Estás sozinha?- Isso interessa?- Sim. É até importante, para mim, saber.- E porquê?- Diz-me só se estás sozinha ou acompanhada.- Se é tão importante, estou acompanhada, mentiu. Lá estava o orgulho a falar mais alto. Mas que queres? Precisas de alguma coisa?- Afinal sempre conheces a minha voz. Preciso sim. Preciso de ver-te.- Lamento, mas não vai ser possível.- Está bem, sendo assim até outro dia em que estejas sozinha.- Adeus, até esse dia.
Desligou o telefone e chorou, de raiva, se queria tanto vê-lo, porque respondera assim? Maldito orgulho, que falava sempre mais alto!Não foi para a cama, deitou-se no sofá e ali ficou a chorar de raiva e saudade.Pouco tempo depois era a campainha da porta que tocava. Raio! Quem seria agora, será que não podia dormir nem um segundo esta noite?- Quem é? Ninguém respondeu. Devia ser algum vizinho que se esquecera da chave, só podia.- Quando ia voltar para o sofá, ouviu um pancada leve na porta. Espreitou pelo ralo, e... era ele! Era David! Não podia ser. Não podia acreditar. Abriu a porta e lá estava ele sorrindo com ar burlão. - Posso entrar?- Claro. A casa é tua.- Posso beijar-te?- Também. És o meu marido. Podes e deves.- Ele beijou-a suavemente como era seu costume. - Micaela estava radiante. Não cabia em si de tanta felicidade.- David fora visitá-la, ao fim de tanto tempo....- Sentaram-se e conversaram imenso tempo, até que ele perguntou, posso cá dormir hoje? - Podes a cama está vazia, eu durmo no sofá.- E não queres dormir comigo?- E tu queres?- Foi para isso que vim, apesar das tuas mentirinhas...E foram...Que bem lhe sabia sentir o corpo dele encostado ao seu.- Ouviu ao longe uma melodia de Mozart...ela adorava Mozart- A melodia repetia-se uma e outra vez...até que acordou e se viu deitada no sofá, e era o telemóvel a tocar, o seu amigo Ricardo, convidava-a para ir tomar café com ele. Reparou então que era domingo, pois só ao domingo ele a convidava...O que ela julgava ser o corpo de David, eram as costas do sofá.Mais uma vez a visita de David não passara de um sonho...Porque acordou? Estava tão feliz a sonhar...E o telefonema teria sido sonho também?Efeito dos comprimidos para dormir que ela tomara....Sentiu-se mais triste e infeliz que nunca.....Mesmo assim, vestiu-se para ir tomar café com o amigo. Talvez David aparecesse por lá....Quem sabe? A esperança é a última a morrer....Quando chegou, já Ricardo a esperava. Acolheu-a com o seu costumado sorriso amigo...Entretanto, o sr. Maurício que era o dono do café, pessoa sempre bem disposta, e, que parecia gostar de Micaela, chamou-a e, disse-lhe baixinho: - Sabe quem esteve aqui ontem?O seu coração pulou-lhe no peito, mas disfarçando respondeu:- Não. Quem foi? - O sr. David. - Sim? - Sim. Vinha com pressa, mas veio cumprimentar-me. Sabe? Achei-o triste, abatido parecia mais velho...Meu Deus, pensou, todos o vêem menos eu...Afivelou um sorriso despreocupado, e lá foi tomar café, e conversar com o seu inseparável amigo Ricardo...De volta a casa, tomou uma dose maciça de sonoríferos, e dormiu até ás 7,39h de segunda feira de um só sono.Tomou o seu habitual duche, e lá foi para mais uma semana de trabalho.
Arroja 2002-07-26
Maria Isabel Galveias
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